
Para participar integralmente, seja qual for à fase da vida, da Beleza, da Harmonia e da Perfeição da Vida. É necessário ser Mulher.
Tu, Mulher, quando ainda no útero, depois no berço, já escondes sagrados mistérios e infinitas possibilidades, naturalmente tudo ainda protegidos das maldades deste mundo cruel.
"Um sábio me dizia: esta existência
não vale a angustia de viver; a ciência,
se fossemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Assim protegida, podemos compará-la ao botão de rosa, que envolto em seu verde cálice, oculta ao mundo a beleza e a harmonia de suas formas e cores e os mais doces e suaves aromas.
Esboço de Mulher, criança que ensaias os primeiros passos e emites teus tenros sorrisos, iluminas com tua pureza e doçura, a vida de todos os que te rodeiam.
Continuas o botão de rosa, tentando desvendar os primeiros impulsos para desabrochar, seus mistérios de luz e de beleza, como uma alma que desperta para o mundo, para a vida.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo, e vibra, e cresce,
e se desdobra, e se estala num segundo.
Homem! Eis o que somos neste mundo.
Mulher-Criança, que corres, falas, gritas, brincas ou questionas, tentando exteriorizar toda a vida vibrante que tens dentro da alma, tu contaminas a todos e a tudo, com tua alegria singela de viver.
Ainda como o botão de rosa que começa a desabrochar. E mesmo antes de mostrar toda a tua beleza e perfeição, já começas, como ele, a adornar o jardim da vida.
Tu és uma promessa de paz, de harmonia, de amor, de um poema ainda oculto no coração.
Um monge me dizia; oh! mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade.
Pensa! O tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande cousa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto,
o riso às vezes, quase sempre o pranto!
Depois, o mundo, a luta que intimida,
quatro círios acesos: eis a vida!
Isto me disse o monge e eu continuei a ver
Dentro da própria morte o encanto de morrer.
Tempos depois. Sentimos que em nosso jardim, ocorreu algum mistério. Que há no ar um novo perfume. Tudo está mais belo e sereno. E então, olhando em volta com melhor atenção, descobrimos que aquele botão que seguíamos com tanto carinho, está desabrochando e começa a revelar o seu vermelho aveludado, com gotas brilhantes de orvalho sob o profundo céu azul.
Um pobre me dizia: para o pobre,
a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre;
Deus? Eu não creio nesta fantasia!
Deus deu-me a sede e há fome cada dia,
Esse botão és tu, Menina-Moça, quase Mulher. Tudo se tornou mais belo, porque existes. Tu que ora sorris ora ficas séria ou choras, ainda tens muitos segredos a nos desvendar e muitas possibilidades a realizar. Teu coração ainda anseia por mais beleza e perfeição.
Mas nunca me deu pão, nem me deu água
nunca! Deu-me a vergonha, a infâmia, a magoa
de andar de porta em porta esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.
Isto me disse o pobre e eu continuei a ver
Dentro da própria morte o encanto de morrer.
Mais tempo depois, e então, nosso jardim atingiu seu apogeu em esplendor. Eis que nosso botão transformou-se na mais formosa rosa rubra sob um Sol fulgurante, exalando o mais doce aroma e revelando-nos os mais recônditos encantos, que transformam-se em poesia, em música, em vida vibrante de harmonia e amor.
Esta linda rosa és tu, Jovem Mulher, que sob a deslumbrante luz do Sol, sob chuva, sob o céu azul ou com os cabelos soltos ao vento, correndo pelas campinas, és toda esplendor e beleza.
Todavia, tu ainda não está completa. Tu deves conservar-te pura e bela. Tu deves manter tua formosura e teu frescor, até que te tornes completamente mulher.
Tu, delicada, suave e terna rosa, tu tens ainda um último segredo a nos revelar.
Tu guardas em ti o segredo de transmitir a vida àquele ser que te tornará completamente Mulher. Assim, ansiarás compartilhar tua beleza, ternura e pureza, com alguém, e transmitir todo o amor que tens no coração. Tua alma sentirá o sagrado impulso de se fundir com uma outra alma e formar um único ser.
E então, um dia, quando encontrares esse alguém, com o qual fundirás tua alma, formando um único coração, tu, jovem Mulher, serás a Mulher Completa e poderás trazer em teu seio novos botões, que desabrochar-se-ão em novas rosas, perpetuadoras também da vida infinita... E assim, tendo cumprido tua missão de Rosa-Mulher, não chorarás, quando começares a perder teu esplendor de Mulher, como a rosa que perde seu perfume e colorido.
Uma Mulher me disse: vem comigo,
fecha os olhos e sonha meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queiras.
Um telhado, um penacho de fumaça,
cortinas muito brancas na janela.
Um canário que canta na gaiola,
que linda vida lá por dentro rola:
E quando muito tempo tiver passado, e tu, já no outono da vida, com teus cabelos brancos como a neve, sentires que como a Rosa-Mulher, já não podes enfeitar o jardim da vida material, não te entristeças. Olha bem no fundo do teu coração e verás uma Rosa Fulgurante que lá existe, no jardim indestrutível do Espírito. Esta Rosa Fulgurante é infinita e eterna. Ela brilha e brilhará para sempre como uma luz da Paz, da Harmonia e do Amor, reservado a todos aqueles que cumprem na Terra, suas primárias obrigações, ou seja, de nascer, crescer, brincar, aprender, obedecer, alegrar, servir e ser servido. Enfim, se preparar para a grande viagem. Aquela que ainda não podemos afirmar com clareza o seu destino. Qualquer afirmação é absurda suposição...
Pela primeira vez, comecei a ver
Dentro da própria vida o encanto de viver.
