quarta-feira, junho 02, 2010

ROSA - MULHER


Para participar integralmente, seja qual for à fase da vida, da Beleza, da Harmonia e da Perfeição da Vida. É necessário ser Mulher.

Tu, Mulher, quando ainda no útero, depois no berço, já escondes sagrados mistérios e infinitas possibilidades, naturalmente tudo ainda protegidos das maldades deste mundo cruel.

"Um sábio me dizia: esta existência

não vale a angustia de viver; a ciência,

se fossemos eternos, num transporte

de desespero inventaria a morte.

Assim protegida, podemos compará-la ao botão de rosa, que envolto em seu verde cálice, oculta ao mundo a beleza e a harmonia de suas formas e cores e os mais doces e suaves aromas.

Esboço de Mulher, criança que ensaias os primeiros passos e emites teus tenros sorrisos, iluminas com tua pureza e doçura, a vida de todos os que te rodeiam.

Continuas o botão de rosa, tentando desvendar os primeiros impulsos para desabrochar, seus mistérios de luz e de beleza, como uma alma que desperta para o mundo, para a vida.

Uma célula orgânica aparece

no infinito do tempo, e vibra, e cresce,

e se desdobra, e se estala num segundo.

Homem! Eis o que somos neste mundo.

Mulher-Criança, que corres, falas, gritas, brincas ou questionas, tentando exteriorizar toda a vida vibrante que tens dentro da alma, tu contaminas a todos e a tudo, com tua alegria singela de viver.

Ainda como o botão de rosa que começa a desabrochar. E mesmo antes de mostrar toda a tua beleza e perfeição, já começas, como ele, a adornar o jardim da vida.

Tu és uma promessa de paz, de harmonia, de amor, de um poema ainda oculto no coração.

Um monge me dizia; oh! mocidade,

és relâmpago ao pé da eternidade.

Pensa! O tempo anda sempre e não repousa;

esta vida não vale grande cousa.

Uma mulher que chora, um berço a um canto,

o riso às vezes, quase sempre o pranto!

Depois, o mundo, a luta que intimida,

quatro círios acesos: eis a vida!

Isto me disse o monge e eu continuei a ver

Dentro da própria morte o encanto de morrer.

Tempos depois. Sentimos que em nosso jardim, ocorreu algum mistério. Que há no ar um novo perfume. Tudo está mais belo e sereno. E então, olhando em volta com melhor atenção, descobrimos que aquele botão que seguíamos com tanto carinho, está desabrochando e começa a revelar o seu vermelho aveludado, com gotas brilhantes de orvalho sob o profundo céu azul.

Um pobre me dizia: para o pobre,

a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre;

Deus? Eu não creio nesta fantasia!

Deus deu-me a sede e há fome cada dia,

Esse botão és tu, Menina-Moça, quase Mulher. Tudo se tornou mais belo, porque existes. Tu que ora sorris ora ficas séria ou choras, ainda tens muitos segredos a nos desvendar e muitas possibilidades a realizar. Teu coração ainda anseia por mais beleza e perfeição.

Mas nunca me deu pão, nem me deu água

nunca! Deu-me a vergonha, a infâmia, a magoa

de andar de porta em porta esfarrapado.

Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Isto me disse o pobre e eu continuei a ver

Dentro da própria morte o encanto de morrer.

Mais tempo depois, e então, nosso jardim atingiu seu apogeu em esplendor. Eis que nosso botão transformou-se na mais formosa rosa rubra sob um Sol fulgurante, exalando o mais doce aroma e revelando-nos os mais recônditos encantos, que transformam-se em poesia, em música, em vida vibrante de harmonia e amor.

Esta linda rosa és tu, Jovem Mulher, que sob a deslumbrante luz do Sol, sob chuva, sob o céu azul ou com os cabelos soltos ao vento, correndo pelas campinas, és toda esplendor e beleza.

Todavia, tu ainda não está completa. Tu deves conservar-te pura e bela. Tu deves manter tua formosura e teu frescor, até que te tornes completamente mulher.

Tu, delicada, suave e terna rosa, tu tens ainda um último segredo a nos revelar.

Tu guardas em ti o segredo de transmitir a vida àquele ser que te tornará completamente Mulher. Assim, ansiarás compartilhar tua beleza, ternura e pureza, com alguém, e transmitir todo o amor que tens no coração. Tua alma sentirá o sagrado impulso de se fundir com uma outra alma e formar um único ser.

E então, um dia, quando encontrares esse alguém, com o qual fundirás tua alma, formando um único coração, tu, jovem Mulher, serás a Mulher Completa e poderás trazer em teu seio novos botões, que desabrochar-se-ão em novas rosas, perpetuadoras também da vida infinita... E assim, tendo cumprido tua missão de Rosa-Mulher, não chorarás, quando começares a perder teu esplendor de Mulher, como a rosa que perde seu perfume e colorido.

Uma Mulher me disse: vem comigo,

fecha os olhos e sonha meu amigo.

Sonha um lar, uma doce companheira

que queiras muito e que também te queiras.

Um telhado, um penacho de fumaça,

cortinas muito brancas na janela.

Um canário que canta na gaiola,

que linda vida lá por dentro rola:

E quando muito tempo tiver passado, e tu, já no outono da vida, com teus cabelos brancos como a neve, sentires que como a Rosa-Mulher, já não podes enfeitar o jardim da vida material, não te entristeças. Olha bem no fundo do teu coração e verás uma Rosa Fulgurante que lá existe, no jardim indestrutível do Espírito. Esta Rosa Fulgurante é infinita e eterna. Ela brilha e brilhará para sempre como uma luz da Paz, da Harmonia e do Amor, reservado a todos aqueles que cumprem na Terra, suas primárias obrigações, ou seja, de nascer, crescer, brincar, aprender, obedecer, alegrar, servir e ser servido. Enfim, se preparar para a grande viagem. Aquela que ainda não podemos afirmar com clareza o seu destino. Qualquer afirmação é absurda suposição...

Pela primeira vez, comecei a ver

Dentro da própria vida o encanto de viver.